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sexta-feira, 10 de julho de 2015

segunda-feira, 6 de julho de 2015

I changed by not changing at all

Nem sei ainda tem alguém que se dá o trabalho de vir aqui, mas é hora de voltar a ativa. Pelo menos um pouquinho...

Talvez seja um momento oportuno porque há uma grande mudança vindo aí. Em agosto deste ano zarpo com esposa e filha em direção às terras frias canadenses, pra iniciar um doutorado. Pra ser mais preciso, Saskatoon é o destino.

Olhando assim, parece tranquilo
Mas tem essa parte também
De qualquer maneira, não tem frio que me impeça de ver isso ao vivo

Meu gosto por hockey e transporte público eficiente agradecem.

A história é meio simples: no final do ano passado, apliquei para o PhD em Química na Universidade de Saskatchewan, e fui aceito pelo Prof. Ian Burgess, com direito a bolsa e tudo mais. Depois disso, o próprio pessoal da Universidade me inscreveu no Saskatchewan Opportunity & Innovation Award, e então vou receber uma grana a mais que vai ser muito útil pra alimentar três bocas - especialmente a boca mais jovem que come muito mingau.




A linha de pesquisa em que entrei é em eletroredução de CO2, algo que já vinha me interessando há algum tempo, mas com o qual é tenho "zero" de experiência. Achei que não tinha a menor chance, mas me aceitaram mesmo assim. Então desde o início do ano que começou a correria: juntar grana, pegar visto, pagar taxas, achar lugar pra morar, conseguir liberação pra afastamento, preparar mudança - e ainda não acabou.





'Mudança' em vários sentidos 
Goste ou não, eu ralei um bocado pra conseguir uma carreira produtiva no Ministério da Agricultura. Primeiro emprego, recém formado, tendo que lidar com todo um outro universo de criação de políticas públicas e gerenciamento que jamais passaram pela minha cabeça durante o bacharelado. A ilusão de achar que ser servidor público seria moleza foi por água abaixo logo na primeira semana. Sou absurdamente grato por esses 8 anos, por ter aprendido a ser profissional, a ter certa destreza em tomadas de decisões, a primar pela lógica e buscar a inovação, mas seria insano dizer que foi tudo muito bom. Pode ser frustrante tentar ser técnico numa instituição que preza mais pela política.
Mesmo com bom salário e estabilidade, as agruras do trabalho acabaram mantendo o sonho vivo. Sair do país era uma ideia antiga, e foi por isso que escolhi a Química numa cidade em que a ideia de sucesso está vinculada no Direito. 


A mudança não é repentina como parece. Sonhos viram metas, e metas requerem planos para serem alcançadas. Continuar com contato acadêmico era essencial, além do conhecimento da língua. E o Canadá foi o alvo por razões que todo mundo já conhece.


E agora o sonho está prestes a se realizar. Outras perguntas vêm e ficam martelando: será que foi mesmo uma boa ideia? Como vão ser os primeiros meses? Será que vou acabar comendo todo dia no Tim Horton's? 




É isso aí, Deus no comando e vamo que vamo!










sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

El Chemistri

Gostaria de ir a esse restaurante, mas é o mais exclusivo de Springfield: é o El Chemistri com sua cozinha-laboratório e todos os pratos "elaborados cientificamente".

Fachada do El Chemistri (sem nome na frente)

Divulgação do restaurante


O menu do El Chemistri contém Salada Caesar Desconstruída, Torta de Maçã Desconstruída, Legumes cozidos no "vácuo perfeito" do espaço sideral e Sorbet com nitrogênio líquido.



Os convidados comendo a salada Caesar desconstruída em tubos de ensaio: gel de alface, gelo de gema de ovo, espuma de croutons e vapor de anchovas. 




Ep. 5 da 23ª temporada

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Projeto Tabela Periódica - Ciência e Arte


Encontrei um projeto da Universidade de Waterloo, Canada


O Departamento de Química e a Faculdade Ciências da Universidade de Waterloo, Canadá, convidaram educadores e entusiastas de química do mundo inteiro a adotar um elemento e fazer uma interpretação artística. Isso transformou a tabela em um mosaico, e clicando em cada elemento pode-se ver informações sobre quem fez, como fez e por que fez. Na verdade, a maioria é de alunos gringos de segundo grau, então prepare-se.



Clique para ver a versão interativa



Alguns elementos têm representações interessantes:


Oxigênio
Silício
Cobre
Alguns são meio dramáticos
Carbono (dica: carbon footprint)

Uns, inclusive, bebem da mesma fonte:
Arsênio
Cádmio
E outros são só bizarros:
Titânio (porque Titânio é super forte!)
Selênio (sim, xampu)

Paládio (...)
Cério (sério, não pergunte...)




Fonte:
https://uwaterloo.ca/chemistry/international-year-chemistry/periodic-table-project


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Prêmio Ig Nobel 2014

Essa semana foram indicados os vencedores do Prêmio Nobel em todas as suas categorias. O prêmio de Química de 2014 foi dividido entre Eric Betzig (Howard Hughes Medical Institute, EUA), Stefan W. Hell (Max Planck Institute, Alemanha) e William E. Moerner (Stanford University, EUA), pelo desenvolvimento de super-resolved fluorescence microscopy, apelidada também de nanoscopia - basicamente eles desenvolveram técnicas de microscopia a ponto de permitir a visualização de células individuais e estruturas a nível molecular. 




The Stinker, mascote oficial do Prêmio Ig Nobel
Aproveitando o gancho, vale lembrar que em setembro houve também a cerimônia de premiação do importantíssimo prêmio Ig Nobel. O prêmio de Física de 2014, por exemplo foi para Kiyoshi Mabuchi, Kensei Tanaka, Daichi Uchijima e Rina Sakai (Japão), pelos cálculos dos coeficientes de fricção entre a sola do sapato e uma casca de banana, e entre a casca de banana e o chão. Fundamental!






Estranhamente não houve um prêmio para a área de Química este ano, então menciono aqui os vencedores das 3 edições anteriores:


2013

Shinsuke Imai, Nobuaki Tsuge, Muneaki Tomotake, Yoshiaki Nagatome, H. Sawada, Toshiyuki Nagata, and Hidehiko Kumgai (Japão).
Pela descoberta de que o processo bioquímico segundo o qual cebolas fazem as pessoas chorarem é mais complicado do que os cientistas estimavam.

REFERÊNCIA: "Plant Biochemistry: An Onion Enzyme that Makes the Eyes Water," S. Imai, N. Tsuge, M. Tomotake, Y. Nagatome, H. Sawada, T. Nagata and H. Kumagai, Nature, vol. 419, no. 6908, October 2002, p. 685.





2012

Johan Pettersson (Suécia, Ruanda).
Pela solução do problema de por quê, em certas casas da cidade de Anderslöv, na Suécia, o cabelo das pessoas se tornara verde. (dica: encanamento de cobre)




Sim, é de verdade
2011
Makoto Imai, Naoki Urushihata, Hideki Tanemura, Yukinobu Tajima, Hideaki Goto, Koichiro Mizoguchi e Junichi Murakami (Japão).
Por determinar a densidade ideal de wasabi (raiz-forte) no ar para acordar pessoas adormecidas em caso de incêndio ou outras emergências, e por aplicar esse conhecimento na invenção do alarme de wasabi. 
REFERÊNCIA: US patent application 2010/0308995 A1; filing date: Feb 5, 2009. Product info [from Seems, Inc.].




Para ver os demais vencedores, de outras áreas e de outras edições, é por aqui.


E aqui o vídeo da cerimônia de 2014, na íntegra, disponível no site dos organizadores. Os laureados do prêmio Nobel participam da premiação

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Beautiful Chemistry

Beautiful Chemistry é resultado da colaboração entre a Universidade de Ciência e Tecnologia da China e Tsinghua University Press. 
Eles usaram uma câmera 4K Ultra HD, então tem uma baita riqueza de detalhes.

Aqui, vê-se a cristalização de sulfato de cobre (CuSO4), tiossulfato de sódio (Na2S2O3), ferrioxalato de potássio (K3[Fe(C2O4)3]) e acetato de sódio (CH3COONa). Todos obviamente bem acelerados, por que para produzir cristais bonitinhos assim o processo é bem demorado.




Outra imagem maneira é a das reações de simples troca, entre zinco metálico e soluções de nitrato de prata (AgNO3), sulfato de cobre (CuSO4) - clássica - e nitrato de chumbo (Pb(NO3)2).

Imagino esses vídeos passando naquelas exposições de arte numa sala escura, com um fundo sonoro só de ruídos bem graves e tal..


No site tem ainda simulações de estruturas cristalinas, supramoleculares, sólidos amorfos e otras cositas também bem interessantes.


Fonte: http://beautifulchemistry.net/reactions.html, e visto no IFLS.


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A espetacular teia do espetacular Homem-Aranha




A trilogia do Aranha dirigida pelo Sam Raimi, entre qualidades e defeitos, mudou um ponto fundamental na história do herói e que gerou polêmica de todos os lados, que foi a teia natural (acho que essa celeuma só durou no 1º filme, depois as pessoas deixaram pra lá).






Estávamos acostumados com Peter Parker tendo que se preocupar em recarregar cartuchos no meio da peleja, e de repente isso deixou de ser um problema. Felizmente (talvez não tanto pra ele), esse conceito voltou no prematuro reboot.

O segredo está no biquinho



Como raios é essa teia sintética? Ela é capaz de tudo isso? Um nerd de 15 anos criado pela tia poderia fazê-la em casa?


As características descritas trazem um monte de complicações: a teia fica na forma de fluido, que ao ser projetada por um orifício (dos web-shooters) torna-se uma fibra que gruda em qualquer superfície e ganha consistência instantaneamente, e forte o suficiente para conter um caminhão de 16 toneladas (palavras do próprio Peter Parker).







Teias sintéticas

Aqui é isolada a proteína produzida pelas
bactérias alteradas geneticamente. 

Mayumi Negishi do The Wall Street Journal
A teia é uma fibra com força e elasticidade consequentes da estrutura proteica longa e complexa. Essa estrutura é bastante estudada, mas replicá-la integralmente em laboratório não é nada fácil. Por isso, tem se tentado produzir teias de diversas maneira, até alterando cabras geneticamente de maneira que elas produzam a fibra em seu leite (!). 

Alguém percebeu que é mais fácil ordenhar uma cabra do que duzentas aranhas.

O caminho que a start-up japonesa Spiber Inc. encontrou foi inserir em bactérias o DNA recombinante para produzir a proteína, que depois é isolada.
Um grama de proteína produz quase 8 km de fio.








Esse trailer era bem maneiro, hein?
Pesquisadores descobriram ainda que é possível aumentar a resistência dos fios adicionando átomos metálicos, principalmente, Zn, Ti e Al. Há quem diga que uma trama de fios da espessura de um lápis é capaz de segurar um avião.







Até onde sabemos a família Parker não tem uma criação de cabras. A cultura de E. coli pode ser mais fácil para o Pedro Parque. Resta ainda a parte de como transformar a matéria prima proteica em fios, e aqui entra a técnica de microfluidos

Kinahan, M. E. et al.,
Biomacromolecules. May 9, 2011; 12(5): 1504–1511.
Neste artigo, a matéria-prima é fibroina regenerada de bicho-da-seda Bombyx mori, em solução aquosa passando pelos canais de um dispositivo microfluídico a reagir com poli-óxido de etileno. A redução de pH provocada por este reagente faz com que a solução de fibroina se estruture como uma fibra de fato, se alongando pelo canal até chegar a um banho de metanol para coagulação.

Neste caso, o lançador de teias seria um dispositivo que imita o mecanismo de formação do fio no próprio bicho-da-seda.


Outro artigo mostra o esquema de formação da fibra, mencionando inclusive o fato da ponta do fio ser grudenta.

Rammensee, S. et al.,
 Proc Natl Acad Sci U S A. May 6, 2008; 105(18): 6590–6595.


Mais sobre a teia no vídeo dessa semana do Nerdologia 44





"Spider-man, Spider-man...  eee"